“Meu Deus, como o amor impede a morte!”
(Clarice Lispector – Uma amizade sincera)
O Amor, juro, bateu à minha porta. A casa e eu (há muito fechados) fizemos uma concessão: a-bri-mo-nos. Retirei o aviso tomado a Hesse, o lobo da estepe: Aqui não há ninguém. Nunca. E PENETRAMONOS.
Assentido, assentado, o Amor recusa, amavelmente, a cervejinha que lhe ofereço. Não vim aqui para receber, vim para dar, que é o que sei fazer de melhor. “Mas por que euzinho?” – pergunto-lhe, limpando com o dorso da mão esquerda meu bigode de espuma. Porque te negas a viver, porque te negas a amar. Doravante, ensinar-te-ei a viver, eninar-te-ei a amar. Sorrio, não do Amor, mas do “doravante” e das mesóclises dele. Que amor mais parnasiano este!
Na cama, porém, nem Madonna... Aí a linguagem do Amor deixa de ser parnasiana. É, eu diria, pós-moderna, já que tem todas as posturas, todos os estilos. É sem preconceitos, SUBLIMEGROTESCO. Com ele, nem Ovídio conseguiria competir na arte de amar. O Amor é fogo, erotomaníaco que só!
O Amor, como é ele? Nortista. Rondoniense. Cunhantã. Anda na idade do prazer. Tem um sabor, um odor, uma cor, um ardor! Cupuaçu. Já provaram, manos? O Amor, sobre mim, hábil amazona. Suas lições amatórias, eita! Fazem-me desmorrer, sim! De suas bocas, de seus seios, de suas mãos, de seu corpo, extraio o mel da vida. Que se dane a minha hiperglicemia!
Adormecemos. Desnecessitamos de sonhar: gozamos a realidade à exaustão.
Amanhece. O Amor, em pelo, faz café e uns ovos mexidos para mim. Isto pode não ser lá muito higiênico, mas que é estético, é, acreditem. Que fêmea e erótica arquitetura!
Sim, mas também o Amor – quem diria? – tem hora, tem de ir. Para onde? Para quem? Para o meu palácio, para a minha mãe, responde-me o Amor, cupidamente. Diz que volta. Basta que tu queiras viver, basta que tu queiras amar. Banha-se, veste-se, beija-me, voa. Deixa-me a Volúpia. Leva as chaves da casa e da minha alma.
Saudades de prosear com meu amigo Vitor Hugo, quando o leio parece que estou onvindo sua voz!
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