para Alaor Ignácio dos Santos Júnior
O comércio exulta, antegoza, há uma semana: é tempo de algarismarmos, uma vez mais, nossos sentimentos. Amanhã, 13 de agosto, comemorar-se-à o Dia dos Pais. É certo, não se vende tanto aí como no Dia das Mães, o que é uma prova cabal de que as velhas estão em primeiro lugar em nossos corações. “Pai, você é uma mãe!”. Não é assim que se diz? Vem por último em tudo o pai. Puta injustiça, essa.
Meu pai, meu pequeno grande pai, perdi-o faz mais de dez anos. Perdi-o? Não. Ele, nunca ele esteve tão comigo, tão presente, ausente. Meu pai, confesso-lhes, amava-o perdidamente. Amava-o tanto que ele se tornou um obstáculo à minha plenitude, à minha felicidade, à minha vida. É que eu não sabia então que até o amor em excesso faz mal. Urge, assim, que eu esqueça meu pai para recordá-lo.
Falando em coração, foi este que o matou. Fulminantemente. O coração também me matará. Pro-lon-ga-da-men-te. Não dou conta de matar em mim o amor demais da conta por meu pai. Sou um masoquista, pois. Não quero me salvar, não quero fugir do amor por meu pai, como o fez Kafka em relação ao pai dele, embora esse atormentado theco tivesse lá seus motivos e os metamorfoseasse literariamente, como ninguém. Meus textos também tratam de meu pai. Neles, ele, inevitavelmente, embutiu-se. A sombra, eterna em minha escrevivência. Meu pai, infinita presença.
Bem, minha intenção era fazer uma crônica sobre o Dia dos Pais. Acabei recordando meu pai. Ele é referência, recorrência, para mim. Desculpem-me por tê-los frustrado. Para me redimir um pouco, aqui vai uma sugestão para vocês que me lêem neste domingo, 13 de agosto: que tal sentimentalizarmos nossos algarismos? Dêem Quase memória, de Carlos Heitor Cony, a seus pais. É o que eu daria a meu pai. E estaria, seria presente.
Bom Dia dos Pais para vocês!
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